Centro de Produções Técnicas

Como fazer pé-de-cuba com fermento prensado para a produção de álcool combustível


O percentual de álcool adicionado à gasolina tem crescido em diversos países, tanto por questões energéticas quanto para a diminuição da poluição

cana de a%C3%A7ucar1 225x300 Como fazer pé de cuba com fermento prensado para a produção de álcool combustível

A matéria-prima utilizada para a produção do álcool combustível poderá ser vinho ou mosto fermentado, produtos obtidos a partir da fermentação do caldo de cana

É possível produzir álcool combustível para consumo próprio, com instalações devidamente construídas. A matéria-prima utilizada poderá ser vinho ou mosto fermentado, produtos obtidos a partir da fermentação do caldo de cana, ou de pré-destilados que são obtidos durante a destilação de cachaça.

Juarez de Souza e Silva, professor do curso Produção de Álcool Combustível na Fazenda, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas, afirma que o primeiro passo para a produção do álcool consiste em determinar o ponto ideal para a colheita da cana, o que deverá ser feito percorrendo o canavial e colhendo algumas canas aleatoriamente, com atenção para que as canas colhidas sejam bem representativas.

Depois de colhidas, as canas deverão ser moídas e o caldo deve ser utilizado na determinação do teor de açúcar. Esse processo é feito colocando o caldo em uma proveta e mergulhando o brixímetro em seu interior, soltando-o em seguida para que flutue. O teor de açúcar poderá ser lido diretamente na haste do instrumento.

Antes de determinar o teor de açúcar, deve-se ter o cuidado de retirar os bagaços e pedaços de folhas que, eventualmente, possam estar no caldo.

Se o teor de açúcar estiver superior a 20º Brix, o canavial já poderá ser colhido. Antes, porém, é preciso preparar o pé-de-cuba (forma de fazer a ativação das leveduras).

Pé-de-cuba com fermento prensado

O procedimento a seguir refere-se ao preparo de 30 L de pé-de-cuba, uma quantidade suficiente para iniciar a fermentação em três dornas de 260 L cada.

1° passo: colher e moer, no mesmo dia, uma quantidade de cana suficiente

para obter mais de 30 L de caldo. Lembre-se que o brix da cana deverá ser

superior a 20º Brix;

2° passo: ferver um pouco mais de 5 L desse caldo;

3° passo: corrigir o brix do caldo fervido. Ideal: de 12° a 14º Brix;

4° passo: adicionar 100 g de fermento prensado (fermento de padaria) ao caldo fervido . Mas isso deverá ser feito quando a temperatura do caldo fervido baixar para aproximadamente 32º C;

5° passo: esperar o tempo suficiente para o brix do caldo cair para 2° ou 3º Brix;

6º passo: adicionar 25 L de caldo com teor de açúcar corrigido – entre 12° e 14º Brix;

7º passo: acrescentar 30 g de sulfato de amônia, 15 g de superfosfato de cálcio e 30 g de farelo de arroz;

8º passo: esperar o tempo suficiente para o teor de açúcar do caldo baixar para 2° ou 3º Brix;

9º passo: adicionar 120 L de caldo, com teor de açúcar corrigido entre 12° e 14º Brix, juntamente com 120 g de sulfato de amônia; 60 g de superfosfato de cálcio e 60 g de farelo de arroz;

10º passo: esperar o teor de açúcar cair para 2° ou 3º Brix e tem-se o pé-de-cuba preparado.

Em geral, o tempo necessário para preparar o pé-de-cuba varia de 3 a 5 dias.

Dica: A correção do teor de açúcar do caldo deverá ser feita adicionando-se água de boa qualidade, cuja quantidade deverá ser calculada pela fórmula anteriormente apresentada. Porém, mesmo calculando a quantidade de água a ser acrescentada ao caldo, o brixímetro deve ser utilizado para conferir o teor de açúcar antes de colocar todo o volume calculado.

Após o preparo de pé-de-cuba, é preciso preparar o mosto, que é a mistura do pé-de-cuba com o caldo de cana, com 16º Brix. Os 30 L de pé-de-cuba são suficientes para preparar 160 L de mosto. Para isso, basta adicionar ao pé-de-cuba 160 L de caldo com teor de açúcar corrigido para 16º Brix. Feito isso, basta esperar o teor de açúcar da mistura cair para 2° ou 3º Brix para que o mosto possa ser utilizado na inicialização da fermentação nas dornas. Isso poderá ser feito de duas maneiras: corte de dornas e dorna única.

Esse é um dos temas abordados no curso Produção de Álcool Combustível na Fazenda, que tem como objetivo ensinar como produzir álcool combustível na fazenda, fermentando o caldo da cana ou aproveitando a cabeçada e a cauda da destilação de cachaça artesanal que são descartadas.

Após fazer o curso e ser aprovado na avaliação, o aluno recebe um certificado de conclusão emitido pela UOV – Universidade On-line de Viçosa, filiada mantenedora da ABED – Associação Brasileira de Educação a Distância.

Por: Virgínia Maria de Araújo



Você também vai gostar de ler:


Deixe seu Comentário

Marque a caixa abaixo para validar seu comentário

 

4 Comentários

  1. Gostei da explicação em relação ao pé de cuba; como é feito o preparo. Quero obter mais informações sobre a produção de álcool combustível.

    1. Olá Moisés,

      Ficamos felizes que tenha gostado do nosso conteúdo. para mais informações sobre a Produção de Álcool Combustível cadastramos seu e-mail para receber nosso boletim informativo.

      Atenciosamente,
      Ana Carolina dos Santos

  2. Oi sou fermenteiro e gostaria de saber mais sobre fermentação de álcool.

    1. Olá, Edson!

      A fermentação na indústria de álcool pode ser conduzida por vários processos. São eles: processo de fermentos individuais; processo de cortes; processo de decantação; processo Melle-Boinot; ou ainda, processo de fermentação contínua. Em quaisquer desses processos, a alimentação do mosto nas dornas deve ser feita cuidadosamente, para evitar concentrações excessivas de açúcares e sais no meio, pois estas podem causar inibição das enzimas fermentativas das células das leveduras.

      Para informações mais detalhadas, sugerimos a você o Curso Produção de Álcool Combustível na Fazenda.

      Agradecemos a visita e o comentário em nosso site!
      Atte.
      Andréa Oliveira.

Cursos de Agroindústria

CPT - Centro de Produções Técnicas

Quer Facilidade?

Ligamos para você!


Cursos de Meio Ambiente

CPT - Centro de Produções Técnicas