Centro de Produções Técnicas

Arquivo de junho, 2010


Empresas montam estruturas para produção do biocombustível a partir do caldo de cana-de-açúcar

biodiesel laboratorio 250x187 Novas oportunidades são discutidas para potencializar o uso das oleaginosas

Pode-se utilizar na produção de biodiesel os resíduos agroindustriais e óleos e gorduras usados em frituras, o que constitui um ótimo destino para esses materiais.

Acontece durante esta semana, em João Pessoa, capital da Paraíba, o 1º Simpósio Internacional de Oleaginosas Energéticas – Inclusão Social e Energia e o 4º Congresso Brasileiro de Mamona. O evento é realizado pela Embrapa Algodão e Agroenergia em parceria com a Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agropecuária e Pesca da Paraíba.

O pesquisador César Miranda, que trabalha no Laboratório Virtual da Embrapa nos EUA, apresenta no encontro uma relação sobre a produção de biodiesel no Brasil e no país norte-americano. Segundo ele, esse Estado tem a soja como a principal matéria-prima na exploração do biocombustível, sendo responsável por 70% da produção, seguida pela canola.

Existem outras oleaginosas para exploração, como amendoim, crambe, camelina, coco macaúba, girassol, pinhão manso, entre outras, cada cultivo com suas limitações de clima, solo e produção. O professor da UNB, Dr. Paulo Anselmo Ziani Suarez, afirma no curso Produção de Biodiesel, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas, que “pode-se utilizar na produção de biodiesel os resíduos agroindustriais fontes de gordura animal, como, por exemplo, o sebo de boi e a gordura de frango. Também, há a possibilidade de aproveitar óleos e gorduras usados em frituras, o que constitui um ótimo destino para esse material”.

Atualmente, tem sido noticiada a oportunidade de produção direta de biodiesel a partir de açúcares básicos, com empresas montando estruturas para produção do biocombustível a partir de caldo de cana-de-açúcar. “Isso abre possibilidade de futuras parcerias entre EUA e Brasil, já que a produção de cana-de-açúcar brasileira é a maior do mundo”, finaliza Miranda.

Texto de: Ariádine Morgan

 

No Brasil, ainda constam 106 milhões de hectares que podem ser usados para produção de biocombustíveis

mamona materia prima 250x166 Demanda crescente da sustentabilidade declara portas abertas ao biocombustível

O que se percebe é o grande potencial econômico e a geração de empregos que a conversão para biocombustíveis vai propiciar.

Quem saiu falando que a produção de biocombustíveis propiciará a escassez de alimentos, não verificou os números antes de apontar tal sugestão. Foram esses comentários que geraram a discussão no debate do workshop Scientific Issues on Biofuels (Questões Científicas sobre Biocombustíveis), realizado na última semana, na Fapesp.

“Com essa discussão, perde-se a oportunidade de se debater, de fato, os impactos sociais mais relevantes. Muitas oportunidades estão sendo perdidas na África, por exemplo, onde a ideia de agricultura para acabar com a fome é o argumento político mais recorrente”, disse Emile Van Zyl, da Universidade de Stellenbosch, na África do Sul.

O maior obstáculo ainda é o processo, pelo alto custo de produção. Mas esse problema já vem sendo solucionado, porque muitas tecnologias estarão disponíveis em um futuro muito próximo. O desafio é pensar nos insumos. Segundo o pesquisador, na América do Sul e, principalmente, na África, existem áreas abandonadas com potencial de utilização para a produção de biocombustíveis sem comprometer a de alimentos.

O diretor científico da Fapesp, Carlos Henrique de Brito Cruz, analisou dados da Unica – União da Indústria de Cana-de-açúcar, avaliando a agroindústria no Brasil. Em 2008, o Brasil possuía cerca de 851 milhões de hectares aráveis e as pastagens ocupavam cerca de 49% desse total. E constam, ainda, 106 milhões de hectares que não estão sendo usados nem para plantações, nem para pastagens. “São Paulo expandiu as áreas de cultivo de cana-de-açúcar para produção do etanol e os estudos mostram que quem mais cedeu espaço para a cana foi a pecuária, mas isso não levou à diminuição no rebanho do país”, disse, ao destacar que no Brasil a criação ainda se dá na forma extensiva.

Para o professor Dr. Luiz Angelo Mirisola Filho, no curso Cultivo e Processamento de Coco Macaúba para Produção de Biodiesel, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas, “os investimentos em tecnologias para substituir combustíveis fósseis por outras fontes renováveis tem se intensificado nos últimos anos, à medida que se percebe o grande potencial econômico e a geração de empregos que essa conversão vai propiciar”.

A prática efetiva da sustentabilidade possui uma demanda crescente. Como o alimento, deve ser considerada uma necessidade, pois continuar vivendo com a deterioração do meio ambiente, também, não tratá efeitos positivos.

Texto de: Ariádine Morgan

 

Universidade brasileira e instituto cubano se juntam no desenvolvimento de combustíveis renováveis

bioenergia producao biodiesel 248x250 Parceria entre Brasil e Cuba na produção de bioenergia

A utilização de recursos renováveis é uma excelente alternativa para a produção de combustíveis.

A Unesp – Universidade Estadual Paulista, e a ICIDCA – Instituto Cubano de Pesquisa e Derivados de Cana-de-açúcar, estão fazendo um acordo de cooperação técnica. O objetivo é desenvolver pesquisas voltadas à produção de energias renováveis.

De acordo com a pró-reitora de Pesquisa da universidade, Maria José Soares Mendes Giannini, “o acordo pretende reunir especialistas das duas instituições e estará voltado especialmente a trabalhos com resíduos, visando a uma produção sustentável”.

Para o professor Paulo Anselmo Ziani Suarez, no curso Produção de Biodiesel na Fazenda, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas, “a utilização de recursos renováveis, ou seja, que possam ser produzidos de acordo com as necessidades, como são os vegetais, é uma excelente alternativa para a produção de combustíveis. A produção de um combustível a partir de óleos vegetais e gorduras animais, além de materiais residuais como óleos usados em frituras ou borras obtidas no processo de refino de óleos e gorduras, ou seja, o biodiesel, consiste em uma forma de reduzir a emissão de poluentes, promover benefícios econômicos e sociais para os povos e diminuir a dependência de derivados do petróleo”.

Serão contemplados cinco eixos, todos eles correspondentes às divisões do Centro de Pesquisa de Bioenergia da Unesp. Biomassa para bioenergia; produção de bioenergia; aplicação de biocombustíveis em motores; biorrefinaria, alcoolquímica e oleoquímica; impactos ambientais, sócio-econômicos e sustentabilidade, serão os temas abordados.

Texto de: Ariádine Morgan

 

O álcool produzido poderá ser direcionado tanto para a indústria de biocombustíveis, como para a indústria de cosméticos

mandioca biocombustivel 250x168 Universidade indica bioetanol de rejeitos da mandioca

A mandioca tem elevada tolerância a longas estiagens e o produtor consegue bom retorno financeiro mesmo em solos de baixa fertilidade.

A produção de álcool a partir de açúcares advindos do rejeito da mandioca foi comprovada por um grupo de pesquisadores da UFPA – Universidade Federal do Pará. De acordo com o coordenador desse projeto inovador, Alberdan Silva Santos, o objetivo é a produção de bioetanol para diversas aplicações, não somente para o biocombustível. “O álcool que estamos produzindo poderá ser direcionado tanto para a indústria de biocombustíveis, como para a indústria de cosméticos”, explica o pesquisador.

A equipe tem a proposta de promover educação ambiental, melhorar a qualidade da industrialização da mandioca e reduzir o impacto ambiental em algumas regiões ribeirinhas do estado do Pará. “O grande volume de rejeito da mandioca é um problema para as margens dos rios e para a qualidade da farinha paraense. Por isso, buscamos organizar as coletas dos resíduos e encontrar alternativas de uso para os mesmos”, ressalta Alberdan.

Para a professora Dr. Marney Pascoli Cereda, no curso Cultivo de Mandioca, elaborado pelo CPT – Centro de Produções Técnicas, é interessante que se aproveite o máximo da produção da mandioca, pois seu cultivo é de fácil propagação e de rendimentos satisfatórios. “A mandioca tem elevada tolerância a longas estiagens e o produtor consegue bom retorno financeiro mesmo em solos de baixa fertilidade. Além disso, seu cultivo exige pouca utilização de insumos modernos e permite consórcio com inúmeras plantas alimentícias e industriais”, enfoca Marney, professora da UNESP e pesquisadora do CERAT – Centro de Raízes e Amidos Tropicais.

Texto de: Ariádine Morgan

 

Além do problema ambiental, existe o econômico, pois com a redução dos peixes e da beleza natural, muitas empresas pesqueiras e de turismo passam a perder em produção e vendas

vazamento petroleo 250x166 Vazamento de petróleo é mais um elemento para avaliar vantagens da bioenergia

A mancha causada pelo vazamento de petróleo é tão extensa que chega ao tamanho da Jamaica.

Há um pouco mais de um mês, iniciou-se o vazamento de petróleo no Golfo do México, com o trágico acidente da explosão na plataforma de prospecção submarina. Nesse triste episódio, 11 funcionários morreram e 17 ficaram feridos. Essa não é a primeira vez e, provavelmente, não será a última. Infelizmente, existe muita dificuldade em se conter vazamentos, sendo esse mais um elemento para avaliar as vantagens da bioenergia.

Para piorar, a operação de mitigar os danos do vazamento, tentando evitar que parcela alcance a superfície marinha, é um pouco polêmico. Especialistas acreditam que o dispersante aplicado é tóxico, o que deteriora ainda mais o meio ambiente. Esses vazamentos têm levado à morte milhares de pássaros e animais marinhos. Isso ainda acarreta um problema econômico, pois com a redução dos peixes e da beleza natural, muitas empresas pesqueiras e de turismo passam a perder em produção e vendas.

vazamento petrolio fauna 250x180 Vazamento de petróleo é mais um elemento para avaliar vantagens da bioenergia

Pássaro sujo de petróleo no Golfo do México

Ainda não foi confirmado o valor exato das perdas financeiras com essa catástrofe, mas estima-se que cada dia represente US$ 10 milhões em perdas de produtos e custos operacionais. Para o turismo e a pesca, esse valor chega a US$ 5,5 bilhões, fora o impacto ambiental que ainda não foi analisado.

De acordo com Roberto Rodrigues, coordenador do Centro de Agronegócio da FGV, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Fiesp e professor do Departamento de Economia Rural da Unesp, “caso esse derramamento fosse de etanol, produto totalmente miscível com água e biodegradável, as consequências seriam enormemente menos impactantes e custosas”.

Para o professor, esse acontecimento é mais um elemento para avaliar a agroenergia sobre o combustível fóssil e para pensar nos riscos existentes na exploração a grandes profundidades.

Texto de: Ariádine Morgan